Em 2026, a pergunta não é se você "faz SEO". É se o Google consegue entender do que o seu site trata e quem está por trás dele. O trabalho saiu da caça à palavra-chave exata e foi pra outro lugar: ser uma fonte reconhecível nos assuntos que você cobre.
Se você ainda se preocupa com densidade de palavra-chave, está jogando um jogo que acabou faz anos.
Coisas, não strings
O Google descreve o Knowledge Graph com essa frase ("things, not strings") desde 2012. O último tamanho que ele publicou oficialmente, em maio de 2020, foi de mais de 500 bilhões de fatos sobre cinco bilhões de entidades. Circulam números maiores, mas são estimativas de terceiros que o Google nunca confirmou. E o argumento nem depende do número: a busca liga pessoas, lugares, coisas e conceitos, em vez de só comparar sequências de texto.
Pra quem cuida de conteúdo, o trabalho com clientes sempre me leva às mesmas prioridades:
- Um conjunto de posts relacionados sobre um tema, em vez de artigos soltos.
- Dados estruturados (JSON-LD) dizendo quem você é, batendo com o que está visível na página.
- Escrever pra intenção por trás da busca, e só depois pro volume de buscas.
Nada disso garante posição. Só deixa mais fácil, pro Google e pro leitor, entender o que você sabe de verdade.
AI Overviews: quão comuns são e quanto custam
A frequência dos AI Overviews depende de quem conta e de quais buscas entram na conta. A medição mais cuidadosa que encontrei é da Pew Research Center: acompanhando as buscas reais de 900 adultos nos Estados Unidos, cerca de 18% das buscas no Google em março de 2025 trouxeram um resumo de IA. Ferramentas que monitoram palavras-chave comerciais apontam porcentagens bem maiores, e o número não para de mudar.
A Pew também mediu o custo. As pessoas clicaram num resultado tradicional em 8% das visitas quando apareceu resumo de IA, contra 15% quando não apareceu. A posição do Google é que os cliques que continuam acontecendo são de mais qualidade, ou seja, as pessoas passam mais tempo no site. As duas coisas podem ser verdade ao mesmo tempo: menos cliques, cliques melhores.
Sobre ser citado, a documentação do Google é direta. Não existe requisito extra nem otimização especial pra aparecer nos AI Overviews, nem arquivo de texto pra IA, nem schema especial, e as boas práticas normais de SEO continuam valendo. O que eu faço nas minhas páginas e nas de clientes:
- Responder a pergunta lá em cima, e não três parágrafos abaixo.
- Usar títulos H2 e H3 claros, pra uma seção fazer sentido mesmo citada sozinha.
- Publicar o que um modelo não produz sozinho: dado, estudo de caso, uma posição que você consegue defender.
Essa é a minha prática. O Google não publica checklist pra isso.
Core Web Vitals: o INP substituiu o FID
O INP (Interaction to Next Paint) substituiu o FID como Core Web Vital em março de 2024, e um INP bom é de 200 milissegundos ou menos. O Google confirma que os Core Web Vitals são usados pelos sistemas de ranqueamento, e na mesma página diz que sempre procura mostrar o conteúdo mais relevante, mesmo quando a experiência da página é ruim. Nota boa também não garante topo.
Ou seja, site lento não afunda conteúdo excelente sozinho. O que ele faz é perder quem chega, e um WordPress pesado de script sem otimização perde o visitante no primeiro toque. Por isso eu coloco performance de WordPress e SEO técnico antes das decisões de conteúdo: é o que decide se o tráfego que você conquistou vira alguma coisa.
Página lenta desperdiça a posição que já tem.
E-E-A-T é sobre confiança, não uma nota
Com conteúdo gerado por IA em todo lugar, confiança é o mais difícil de falsificar. As diretrizes dos avaliadores de qualidade do Google, atualizadas em janeiro de 2025, incluíram IA generativa na definição de abuso de conteúdo em escala, com exemplos como uma página criada com IA generativa, provavelmente sem conteúdo original e sem valor nenhum pro usuário.
Duas ressalvas importam. Avaliador não ranqueia página: o Google diz que essas avaliações não afetam o ranqueamento diretamente e servem pra medir a qualidade dos resultados. E o Google diz que o E-E-A-T não é, por si só, um fator de ranqueamento específico.
A sua experiência, o que você publicou e o seu histórico público continuam importando, porque é isso que o leitor procura pra decidir se confia numa página, e é o que os sistemas do Google tentam identificar por outros sinais. Bio sozinha não ranqueia nada. Prova de conhecimento dentro do conteúdo é o que faz o conteúdo merecer posição.
O que fazer com tudo isso
O SEO de 2026 favorece quem vira a fonte que as outras páginas resumem. Use IA pra acelerar a pesquisa e guarde pra você a parte que um modelo não produz: o que você viu, o que mediu, o que errou. Depois confira cada afirmação que publicar na fonte, inclusive as de posts como este.
Quais das suas páginas continuariam valendo a citação se o resumo de IA em cima delas estivesse certo?
Se o seu conteúdo é bom e os Core Web Vitals estão segurando ele, performance de WordPress é por onde eu começaria. Me manda a URL.
